Condição

Depressão

A depressão é a condição com a base de evidências mais consistente para a tDCS. A estimulação anódica do córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo (DLPFC) está associada a uma melhora dos sintomas depressivos superior ao placebo (sham), com tamanho de efeito pequeno a moderado.

O que é apoiado pela evidência

Múltiplos ensaios clínicos randomizados, sham-controlados, e uma metanálise apoiam um efeito antidepressivo da tDCS ativa superior ao sham — como terapia complementar e sob supervisão profissional.

  • Metanálise (Shiozawa et al., 2014; 7 ECRs, n=259): tamanho de efeito Hedges' g = 0,37 (IC 95% 0,04–0,70); resposta OR 1,63; remissão OR 2,5.
  • Diretriz internacional (IFCN, Lefaucheur 2017): nível B — eficácia provável — para a tDCS anódica do DLPFC esquerdo. Nenhuma indicação recebe nível A (eficácia definida).
  • Ensaio randomizado domiciliar (Woodham/Fu, Nature Medicine, 2025; n=174): resposta de ~58% vs ~38% no placebo, validando o uso com supervisão remota.
  • Abandono comparável ao sham; efeito de magnitude comparável à da rTMS.
Em números

Depressão

g 0,37
tamanho de efeito vs. placebo (Shiozawa 2014)
Nível B
eficácia provável · diretriz IFCN 2017 (sem nível A)
58% vs 38%
resposta vs. placebo · tDCS domiciliar (Woodham/Fu 2025)

Força e limites da evidência

A evidência cresceu e é favorável, mas permanece limitada e não definitiva: as amostras de cada estudo são pequenas, há ensaios duplo-cegos negativos (Loo 2010, Palm 2012, Blumberger 2012), sobretudo em depressão resistente, e a eficácia de longo prazo ainda é pouco testada. As diretrizes internacionais atribuem, no máximo, nível B (provável) — nenhum nível A. O ensaio domiciliar de 2025 é promissor, mas é um único estudo de fase 2.

Montagem e dose típicas

Montagem típica: ânodo sobre o DLPFC esquerdo (F3), cátodo contralateral; 2 mA (alguns estudos 1 mA), sessões de ~20 minutos, 5 a 15 sessões.

Segurança

Geralmente bem tolerada, com taxa de abandono comparável ao sham. Há relatos raros de hipomania/mania, sobretudo em pessoas com transtorno bipolar — a avaliação cabe ao profissional de saúde.

Fontes

  • Shiozawa P, et al. Int J Neuropsychopharmacol. 2014;17:1443–1452.
  • Lefaucheur J-P, et al. (IFCN). Clin Neurophysiol. 2017;128(1):56–92.
  • Woodham RD, et al. Nat Med. 2025;31:87–95.
  • Boggio PS, et al. 2008 (citado no dossiê Newronika).

Conteúdo informativo e não promissório. A tDCS é uma terapia complementar, sob supervisão profissional; os resultados variam entre indivíduos.

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