Dor crônica & Fibromialgia
A fibromialgia é a indicação de dor mais bem estudada para a tDCS. A estimulação anódica do córtex motor primário (M1) está mais consistentemente associada à redução da dor do que as montagens sobre o DLPFC.
O que é apoiado pela evidência
Ensaios sham-controlados e metanálises associam a tDCS anódica de M1 à redução da intensidade da dor e à melhora da qualidade de vida na fibromialgia, como terapia complementar.
- ECR (Valle et al., 2009; n=41 mulheres com FM refratária): tDCS anódica de M1 reduziu a dor (VAS) de forma sustentada até 60 dias (p=0,03); qualidade de vida (FIQ) −28,3% (p=0,0015).
- Metanálise (Hou et al., 2016; 16 ECRs, 572 pacientes): tamanho de efeito de dor do subgrupo tDCS 0,568 (IC 95% 0,265–0,871); M1 a montagem mais forte. Metanálise mais recente (Moshfeghinia 2023): redução de dor SMD −1,55.
- As diretrizes divergem: a IFCN (Lefaucheur 2017) atribui nível B (eficácia provável) à tDCS anódica de M1 esquerdo, enquanto a EAN (2016) considerou a evidência inconclusiva.
- A montagem sobre o DLPFC reduziu a dor de imediato, mas não de forma durável.
Dor crônica & Fibromialgia
Força e limites da evidência
As diretrizes divergem: a EAN (2016, método GRADE) considerou a tDCS na fibromialgia inconclusiva, enquanto a IFCN (Lefaucheur 2017) atribuiu nível B (eficácia provável) à tDCS anódica de M1 — lembrando que nenhuma indicação recebe nível A. Metanálises recentes confirmam redução de dor, mas Winterholler (2025) ressalta que os efeitos são de tamanho pequeno e a relevância clínica ainda é incerta. Para dor por lesão medular, os ensaios foram negativos ou inconclusivos.
Montagem e dose típicas
Montagem típica: ânodo sobre M1 (C3) com cátodo supraorbital contralateral (benefício mais durável); 2 mA, ~20 minutos, 5 a 10 sessões diárias.
Segurança
Tolerabilidade classificada como alta pela EAN ("geralmente excelente"); o principal efeito é uma reação cutânea transitória sob os eletrodos, com raros casos de pequenas queimaduras que se recuperam espontaneamente.
Fontes
- Valle A, et al. J Pain Manag. 2009;2(3):353–361.
- Hou W-H, Wang T-Y, Kang J-H. Rheumatology (Oxford). 2016;55(8):1507–1517.
- Cruccu G, et al. (EAN). Eur J Neurol. 2016;23:1489–1499.
- Lefaucheur J-P, et al. (IFCN). Clin Neurophysiol. 2017;128(1):56–92.
- Moshfeghinia R, et al. BMC Neurol. 2023;23:395.
- Winterholler C, et al. Front Pain Res. 2025;6:1593746.
Conteúdo informativo e não promissório. A tDCS é uma terapia complementar, sob supervisão profissional; os resultados variam entre indivíduos.
Outras condições
Depressão
Estimulação do córtex pré-frontal dorsolateral (DLPFC) para sintomas depressivos, como terapia complementar baseada em evidências.
Reabilitação pós-AVC
Apoio adjuvante à reabilitação. Metanálises recentes apontam benefício em domínios específicos — nomeação (afasia) e disfagia; a função motora não é estabelecida.
Avalie seu caso com um especialista
A indicação da tDCS é individual e deve ser feita por um profissional de saúde. Solicite um orçamento sem compromisso.